ABRIL
Meu amor…
Meu amor…
É Abril. Chegou a Primavera e com ela o vale ganhou novos matizes. Os muros estão cheios de glicínias de um azul anil, cadenciando ao sabor do vento. Há melros no jardim onde, tu sabes, brincam duendes pequeninos.
Era Abril e diziam haver cravos rubros espalhados por aí. Para mim, eu adivinhava ser o princípio do nosso fim. E foi.
Em Abril fechámos as portas da nossa casa que tinha sido a nossa cidadela e começámos a nossa caminhada de judeus errantes…
E foi em Abril que tu partiste…
É Abril e fecho os olhos para melhor ver-te, disfarçando a dor das minhas fragilidades. Sabes lá o que tantas Primaveras fizeram ao meu corpo por ti idolatrado e dizias querer proteger numa redoma de cristal… Os seios a lembrar pináculos de catedrais, em noites de rebita, jazem agora inertes e a minha pele, que dizias lembrar-te um pêssego aveludado, virou uma coisa enrugada e sem viço.
Restam-me os olhos de jacarandá em flor. São eles que ainda te procuram.
É Abril e não sei onde buscar-te… Em mim, ainda arde a febre que tu fizeste descobrirmos.
Por onde andas?
É Abril e eu não sei viver sem ti.
Raquel
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( das cartas de Raquel )
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Isa Pontes
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