APENAS AS PALAVRAS
Quando tu chegares
já as violetas terão partido,
ressequidas,
por entre as pedras do jardim…
De Abril nada restará,
nem a frescura
nem o grito da cor nacarada
em cada flor.
O verde a enfeitar petúnias
cairá inerte, seco, abandonado.
Tu, meu amor,
hás-de procurar
néctar em meus lábios
e acácias em labareda no meu
ventre
que foi outrora o teu chão
o teu império sitiado.
Será tarde…
Será tarde…
De mim restará apenas a efígie do
que eu era
guardada em ti
e dizias ninguém adivinhar.
De mim,
apenas as palavras
que alteiam,
ainda,
os fins de tarde na Ilha
ajoelhados procurando o Sol.
E o azul triste dos meus olhos
há-de confundir-te
ao dizer
É tão tarde…
É tão tarde…
Isa Pontes
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